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SÉRIE ESPECIAL: Os efeitos do coronavírus nos territórios de atuação do IVH – Parte 3



Os desafios de fazer comunicação comunitária no isolamento


As restrições impostas pela chegada do novo coronavírus no Brasil impactou também a vida de Ângelo Madson, comunicador popular que atua na região amazônica, mais especificamente em Belém, capital do estado do Pará.  Ângelo faz parte da Rede Nacional de Proteção a Comunicadores, iniciativa do Instituto Vladimir Herzog.


Ângelo conta que lá as pessoas estão respeitando as instruções para se isolarem e permanecerem em casa. Por isso, foram necessárias várias adaptações para que a rádio que ele ajuda a levar ao ar – a Idade Mídia – pudesse continuar operando: “todos os comunicadores da rádio estão em isolamento físico, mas não social. Tivemos que sair das ruas, mas agora estamos ocupando as redes com uma vasta produção de conteúdo em nossas respectivas casas”.


A nova dinâmica do trabalho tornou ainda mais evidente um problema bastante comum para os moradores do Norte do Brasil: a dificuldade de acesso à internet e a má qualidade do serviço prestado pelas operadoras de banda larga naquela região.


Ângelo conta que se considerar um privilegiado por ter acesso à internet em casa e no celular. Diversos colaboradores da rádio estão tendo problemas e recorrem a espaços públicos para conseguirem se conectar.


Para além da vida profissional, Ângelo não esconde a tristeza provocada pelo esvaziamento das vias da cidade: “é muito difícil ficar neste isolamento. Eu sempre ia trabalhar de bicicleta e me acostumei a ver as pessoas nas ruas, o comércio funcionando. Hoje não tem ninguém. As ruas estão vazias e os comerciantes estão em casa”.


Neste momento, naturalmente, a preocupação com a própria saúde e a de seus familiares, amigos e companheiros de trabalho é maior do que qualquer outra coisa. Mas Ângelo já demonstra aflição com a sustentabilidade dos trabalhadores populares da sua região, que já estão sendo bastante impactados pela realidade atual. “Nossa rádio é popular, nosso público é de pessoas pobres, que dependem dos trabalhos informais que fazem para poderem sustentar suas famílias. Essas pessoas não estão trabalhando e não estão recebendo nenhum tipo de assistência do governo. Não tem como não pensar em como vai ser a recuperação desta economia popular após a pandemia. Agora, minha maior preocupação é a saúde. Mas já temos que pensar em como vamos defender a vida dos povos da Amazônia”.


Este texto faz parte da série especial “Os efeitos do coronavírus nos territórios de atuação do IVH”. Acompanhe seus desdobramentos aqui no site do Instituto Vladimir Herzog e também nos sites dos projetos Respeitar é Preciso! e Usina de Valores.


Créditos: Giuliano Galli - IVH

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