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O Horror da Ditadura de Pinochet em 7 Filmes


Os cineastas Helvio Soto, Costa-Gavras, Andrés Wood, Patricio Guzman, Pablo Larrain e Nanni Moretti trouxeram o horror dos anos negros do presidente assassino Augusto Pinochet, em sete filmes de tirar o fôlego. Este seu principal e sinistro personagem – acusado também por tribunais internacionais como o da Espanha, de genocídio, terrorismo e tortura – foi violador dos direitos humanos, perverso e corrupto, apontado pela Justiça em uma dezena de processos judiciais, por evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Segundo foi apurado, Pinochet, este Hitler sul-americano, teria feito cerca de 50 mil vítimas, mortos e “desaparecidos”- entre eles, vários brasileiros -, boa parte à época do seu Golpe de Estado militar, em 1973. Tudo isso foi um pouco o espelho do que havia se passado antes no Brasil. Ademais, muitos bancos ocultaram a fortuna do ditador, porém sabe-se agora – e não é fake news – que ele teria acumulado 28 milhões de dólares (cerca de 110 milhões de reais). Além das barras de ouro (9600 kg) avaliadas em 190 milhões de dólares (cerca de 780 milhões de reais), num banco de Hong Kong. Nem as desculpas de imunidade política e saúde, conseguiram livrar o bandido Pinochet do julgamento da História. Hoje, todos sabem quem ele foi. Enfim… É este o homem desde sempre apologizado pelo presidente Jair Bolsonaro, sendo que, da última vez, em meio a ofensas a uma vítima do regime ditatorial chileno. Cuidado com os trechos e trailers, alguns são chocantes.


Chove sobre Santiago, de Helvio Soto (1975)


https://youtu.be/s6vPh4ZqS3Q


No dia 11 de setembro de 1973, o presidente Allende e a democracia chilena sucumbem, massacrados pela junta militar de Augusto Pinochet. Este é um filme histórico (aqui está reproduzida a parte final), rodado praticamente em cima dos fatos, apenas dois anos depois. A distribuição internacional foi impressionante. Annie Girardot, Jean-Louis Trintignant, André Dussollier, Bernard Fresson… pode-se ver neste filme uma reconstituição das torturas perpetradas no tristemente célebre Estádio nacional de Santiago, transformado em prisão política pelos militares entre setembro e novembro de 1973. Cerca de 40 mil pessoas foram presas ali, e milhares executadas.


Missing – Desaparecido, de Costa-Gavras (1982)


https://youtu.be/chLXsiIldCI


Missing – Desaparecido gira em torno da história verdadeira de um americano no Chile, desaparecido durante o golpe e procurado por seu pai  (Jack Lemmon). Costa-Gavras pinta um retrato impressionante da implicação dos Estados Unidos e da CIA no golpe de Estado militar contra uma democracia de inspiração socialista à qual o governo de Richard Nixon se opunha. “Qual é o seu papel aqui”, pergunta Jack Lemmon dirigindo-se a diplomatas americanos, “fora apoiar um regime que mata milhares de pessoas?”


Meu amigo Machuca, de Andrés Wood (2003)


https://www.dailymotion.com/video/x7t9mw


Quando o regime monstruoso de Pinochet terminou, os cineastas chilenos puderam começar a revisitar o período, examinando as suas feridas e os “não-ditos”. Esta é a crônica da amizade entre dois garotos que tudo opõe, do meio social à orientação política de suas respectivas famílias. Trata-se de uma visão intimista e ao mesmo tempo histórica dos estragos que o regime Pinochet causou na sociedade e no cotidiano de pessoas comuns. Um pouco como ocorreu em 1964 e ocorre de novo no Brasil de hoje, o filme desenha um retrato da oposição entre o conservadorismo retrógrado e o fervor democrático chileno, em 1973.


Salvador Allende, de Patricio Guzman (2004)


https://youtu.be/-mPeqB-QXa8


O célébre cineasta chileno Patricio Guzman realizou este documentário baseado na história contemporânea do seu país. Trata-se de um trabalho formidável e singular de memória que completa a sua trilogia da qual também fazem parte os filmes “A batalha do Chile” (1975-1979) e “Nostalgia da Luz” (2010).  Aqui, ele apresenta o incansável balanço dos crimes de Pinochet e refaz o percurso de Allende, um presidente sacrificado, as condições de sua eleição e a sua morte no palácio presidencial de la Moneda, em Santiago.


Santiago 73 post mortem, de Pablo Larrain (2011)


https://www.dailymotion.com/video/xgcc5s


Antes de realizar Não (abaixo), o cineasta Pablo Larrain já havia visitado duas vezes o Chile de Pinochet. A primeira, com o filme Tony Manero e a segunda com este Santiago 73 post mortem. Neste filme fúnebre sobre os primeiros tempos do regime militar, o empregado de uma morgue vê chegar cada vez mais cadáveres. Em uma entrevista que Patricio Guzman deu ao jornal Le Monde, o documentarista resume o filme perfeitamente: “Pablo Larrain”, diz ele, “conseguiu fazer de seu personagem a quintessência dessa mediocridade e desse cinza aos quais chega o fascismo. Soube impor, com audácia, uma atmosfera extremamente inquietante e fazer de seu filme uma espécie de bomba silenciosa.”


Não, de Pablo Larrain (2013)


https://youtu.be/O-G1NfM8RZQ


Em Não (No), Pablo Larrain conta as últimas semanas do regime de Augusto Pinochet, em 1988. Ou seja, como um referendo, depois de uma campanha publicitária habilmente conduzida, pôs fim a quinze anos de terror. É um filme que dá esperança e algumas ideias aos brasileiros que hoje temem por sua democracia.

Santiago, Itália, de Nanni Moretti (2018)


https://youtu.be/qGQ6ZhFMkvg


O documentário do genial Nanni Moretti, lançado em fevereiro deste ano nos cinemas, passou há alguns dias na televisão francesa, deixando os telespectadores emocionados. Poucos sabem, mas depois do golpe de Estado militar do general Pinochet, a embaixada da Itália em Santiago do Chile, acolheu centenas de pessoas pedindo asilo. Por meio de testemunhos, o filme narra este período durante o qual muitas vidas puderam ser salvas graças a alguns diplomatas italianos.


Até a próxima, que agora é hoje e certas coisas precisam ser relembradas (o tempo todo) para que nunca mais se repitam!


Créditos: Sheila Leirner Blog.

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